quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Web LuAr: Um Dia De Cada Vez - Capítulo Quatro

SoHo, minha casa, 12 de setembro. Lá pelas cinco e quarenta da tarde. Sábado. Até que enfim uma hora de descanso, paz, sem a gritaria do colégio… Só eu e o meu santuário (vulgo: quarto). - Lua! – minha mãe gritava da cozinha. Acabou o silêncio e a paz. Eu estava estatelada na cama, com o notbook no colo e rodeada por sacos de chips e outras porcarias. - Quê? – gritei. - A Rayanna ligou. Queria saber se você já estava indo… – Indo? Rayanna? Ah, droga. Adeus, notbook. Adeus, porcarias. Adeus, santuário. Esqueci-me de que tinha dito para a Rayanna que eu ia à festa do pijama. Corri direto para o banheiro para tomar uma chuveirada rápida e arrumar minhas coisas. Desci as escadas com a minha mochila já pronta. - Lu a– minha mãe chamou. - Que foi? - O que acha da Marissol vir passar umas semanas aqui com a gente? – ela perguntou esperançosa. Marissol é minha prima da Califórnia. Morena, alta, bonita e dois anos mais velha. Ela sempre costumava vir passar um tempo conosco no verão, mas já tem uns anos que ela não vem. - A Mari? – fiquei entusiasmada – Acho ótima idéia! - eu ainda andava apressada em direção à porta, já girando a maçaneta e colocando o corpo para fora. - Ah, e o Thur ligou. Ele disse para você não se esquecer de retornar… - Não vou me esquecer – fechei a porta. Casa da Rayanna, 12 de setembro. Dez e quarenta da noite. Eu estava gostando. Estava gostando de estar com as minhas amigas, ter papos de menina, fazer coisas de garota. O Thur nunca iria querer falar sobre essas coisas. - Quem vocês acham o menino mais gato da Elite Way High School? – Sophia perguntava, olhando para cima, escorada no sofá. - Arthur Aguiar, com certeza – Rayanna deu um sorriso malicioso. Senti um leve incômodo com a expressão dela. - Pedro Cassiano – lembrei-me do momento em que ele me levava pra enfermaria. - Fico com a opinião da Ray – disse Sophia – O Thur é tudo. Revirei os olhos. - Acho que vocês se esqueceram de que a namoradinha dele está bem aqui – Mel disse, me indicando com a cabeça. - Ei, não sou a namoradinha do Thur – torci o nariz. - Ah, pelo amor de Deus, Lua! – Sophia disse – Então por que você fica andando com ele para cima e para baixo? Se não são namorados, o que mais podem ser? - Amigos. - Ai, que inveja – Mel suspirou – Eu que queria ser amiga dele. - E o Chay, Mel? – arregalei os olhos. Como ela poderia ter se esquecido do próprio namorado? - Como diz o velho ditado - ela sorriu –, “cavalo amarrado também pasta”, não vou deixar de curtir as coisas boas da vida por causa do meu namorado. - Com coisas boas da vida, ela quer dizer o Thur – Sophia traduziu. - Você sabe que as meninas estão à beira de criar um fã-clube chamado: “eu amo o Arthur”?! – Mel disse. – Ele é a escolha perfeita de qualquer uma. - Em contra partida - dizia Sophia – Estão à beira de criar um fã-clube chamado: “eu odeio a Lua” – dei uma risada irônica. - Enfim – Mel continuou – Ele é alto, forte, tem a pele perfeita, cabelos perfeitos e um sorriso de fazer qualquer uma ficar tonta – parecia até eu descrevendo o Pedro. Nunca tinha visto o Thur desse jeito. Só como o Thur, o meu melhor amigo – Além de tudo isso, ele ainda é inteligente, gentil, cavalheiro e não está envolvido em nenhum escândalo envolvendo mulheres… - Como o Pedro, no caso – Sophia olhou pra mim. Fiz bico – O pior dia do Thur foi na festa de Primavera – eu me lembrava dessa festa – Parece que ele bebeu um pouco além da conta e ficou com cinco numa mesma noite – ah, claro. Eu me lembrava dessa “conquista” do meu amigo. A festa tinha sido há uns três, quatro meses. Apesar de que pensar sobre isso não me agradasse em nada, era impossível não lembrar. - Fui uma das cinco – Rayanna sorriu vitoriosa. Até que enfim tinha voltado a falar depois de ficar perdida em pensamentos durante a fala das meninas. Bufei – Ele estava tão bêbado na festa que no dia seguinte mal conseguia se lembrar do meu nome. - Foi a única vez que o vi assim – eu disse. - Deve ter sido por causa da Jhulie – Sophia estava pensativa – Foi logo após o término deles. - Ele devia gostar mesmo dela – Mel completou. - Ah, que nada – eu sentia que precisava falar alguma coisa – Foi só uma coisa passageira. Ele nem ficou tão chateado… - Ele não ficou chateado porque terminou com a Jhulie? – Rayanna ficou boquiaberta – Se ela soubesse disso, ia pirar. Fiquei sabendo que até hoje ela esnoba as outras líderes de torcida, dizendo que mais cedo ou mais tarde ele volta para ela. - Sem chance – declarei. - Tomara que esteja certa – Sophia cruzou os dedos. - Ah, e dizem que ele tem uma voz linda também. Além de tocar violão, claro – Mel disse. - Eu sabia que ele tocava violão, mas… – juntei as sobrancelhas, confusa – Onde o pessoal o ouviu cantar? - Na festa de Primavera – Rayanna explicou – Ele cantou Beatles. - “She said she loves you, and you know you should be glaaaad” – Sophia imitou. Reclamei da imitação dela, fazendo careta. - Ele nunca cantou para mim… - disse pra mim mesma, sentindo uma pontada de revolta. - Mas, também, você não pode culpá-lo – Rayanna deu de ombros – Aposto que ele nem se lembra de ter cantado alguma coisa lá. - Ainda mais em cima da mesa – Mel completou. Fiz careta, imaginando a cena. - Ah, fale sério, Lua… – os olhos da Sophia pareciam me devorar de curiosidade - Não me diga que você não sente nada por ele. - Nossa, até eu – Melanie brincou, se abanando. - Amizade. - Ah, não me diga que vocês nunca… - Nunca, Soph – nem a esperei terminar – Sempre fomos amigos. Isso nunca mudou. Eu tinha vontade de que ela calasse a boca, e assim começou uma guerra de travesseiros que durou a noite toda. Por: @_smileaguiar

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