Capítulo nove e dez.
Café Pierre, Manhattan, 18 de setembro. Oito e dez da noite.
Meu coração estava disparado. Nenhum sinal do Pedro no restaurante.
“Calma, Lua. É sexy chegar uns quinze minutinhos atrasado. Certo?”, pensei.
Eu estava usando o vestido marrom, com um cinto dourado largo, abaixo do busto. Cabelo preso de lado e maquiagem leve, realçando as melhores coisas do meu rosto.
Não é por nada, não, mas eu estava gostando da minha aparência. Estava me sentindo bem, bonita. Até uns caras da rua pararam para me olhar enquanto eu entrava no restaurante. Isso deu um “up” na minha auto-estima.
Já eram nove horas. Tinha quase uma hora que eu estava sentada à mesa do restaurante e nada do Pedro chegar. Mil coisas estavam passando pela minha cabeça. Já começava a ficar com vergonha das pessoas que me viam ali sozinha. Peguei o meu celular e comecei a discar o número dele. Pelo menos quem estava em volta veria que eu estava esperando alguém.
Chamando, chamando…
- Alô? – Pedro atendeu. Eu ouvia risadas ao fundo. Fiquei um pouco confusa.
- Pedro?
- Lu? Ah Lu! – ele deu uma risada.
- Já estou no restaurante. Onde você está? – juntei as sobrancelhas.
Será possível que ele tinha se esquecido? Que tinha me deixado?
- Estou a caminho, querida. Não se preocupe – ele disse. Ainda ouvia as risadas.
- Está vindo numa van?
- Por que acha que estou vindo numa van?
- Não sei. Estou escutando risadas no fundo. Você deve estar com outras pessoas…
- Não, não. Isso é só o rádio.
- Estou o esperando. Então…
- Ok. Tchau.
Eu ainda estava com o celular no ouvido, ainda podia ouvir o que se passava do outro lado da linha. Provavelmente o Pedro tinha colocado o celular no bolso e tinha se esquecido de desligá-lo.
- Pedro! – gritei na esperança que ele me ouvisse – Você esqueceu seu celular lig…
- Era ela, cara? – ouvi um garoto perguntar do outro lado da linha. Reconheci a voz de um dos amigos dele. Estranho… Ele me disse que estava sozinho…
- Era. Ela ainda está me esperando, coitada –Pedro deu uma gargalhada.
Meu coração apertou. Eu era a coitada?
- Ah… Sacanagem, Pedro – dizia outro – Por que está fazendo isso com a garota? – deu mais uma gargalhada.
- Diversão. Além do mais, vai ser uma honra fazer uma coisa dessas com a queridinha do Arthur Aguiar. Ele vai me pagar por ter roubado as minhas garotas durante todos esses anos.
- Todo mundo sabe que ela é doida por você – o primeiro garoto dizia.
- Até eu sei disso – Pedro falou como se desse de ombros – Bom que todo mundo fique sabendo que a deixei sozinha no restaurante. Inclusive o Arthur. Será um prazer ver como ele reage ao ver o seu amorzinho com o coração partido – Pedro fez uma voz afetada. Ouvi um bater de copos como se estivessem brindando. Meus olhos estavam ardendo com as lágrimas que surgiam – Ibope para mim.
- Qual é, cara? A Lu é uma gata – um dos amigos dizia, se divertindo – Não devia deixá-la sozinha assim.
- Mais ibope para mim, então – ouvi alguma coisa ser arremessada – Ei! Mas o que diabos você…
Pedro deu um berro rápido. Ouvi coisas sendo quebradas. Nunca desejei tanto que alguém tivesse sido atropelado.
Desliguei meu celular. Eu estava morrendo de vontade de correr, chorar, gritar… Sei lá! Só queria não ter vindo, voltar no tempo, fazer diferente… Não ter aceitado esse maldito convite para vir a esse restaurante, não ter o deixado chegar o rosto perto do meu. Eu estava sendo usada pelo garoto que eu supostamente amava para atingir o meu melhor amigo. Minha cabeça estava lotada… As coisas faltavam girar.
Eu não conseguia mais esconder que estava ofegante. Minhas lágrimas quentes já escorriam pelo rosto descontroladamente, levando meu blush embora. As pessoas do restaurante me olhavam, enquanto eu mantinha meu olhar fixo em um jarro de flores e deixava que as lágrimas rolassem.
- Que burra eu fui… – sussurrei pra mim mesma.
Meu coração parecia ter sido esmagado por um elefante. Eu estava sem reação, olhando para o vazio que já me parecia embaçado graças ao meu choro.
- Precisa de alguma coisa, madame? – um garçom se aproximou de mim com um lenço na mão. Segurei o lenço, passando devagar embaixo dos olhos e assoando o nariz. O homem franzino me olhava com pena. Fiz que sim com a cabeça. Sim… Eu precisava de alguma coisa.
- Thur – solucei.
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